Febre não é doença. Isto tem de ficar bem claro. A febre é um sinal clínico muito associado à infecção, gerando grande número de atendimentos em emergências e consultórios, além de muita preocupação aos pais. A febre é um sintoma que tem muita importância na defesa do organismo, desempenha papel central na resposta imunológica do sistema e se constitui em valioso sinalizador em relação ao diagnóstico e evolução do enfermo.

Desenvolver febre significa, em linhas gerais, estar com o sistema imunológico em atividade, isso não quer dizer que o paciente não deva ser acompanhado, pelo contrário, o comportamento febril informa com precisão sobre a vitalidade do enfermo e o acompanhamento médico é necessário, mas sem atrapalhar o organismo.

  • Temperatura de 37,5°C significa, na maioria das vezes, que estão em atividade apenas algumas defesas humorais que nem sempre são suficientes para enfrentar processos mais graves, necessitando o organismo desenvolver temperaturas mais altas para completar sua ação de defesa.
  • Temperatura até 38,5°C significa que teve início uma resposta celular mais completa, ou seja, glóbulos brancos denominados mastócitos iniciaram a liberação de substâncias químicas que ativam em até 20 vezes a capacidade de defesa do organismo.
  • Temperatura até 39,5°C/40°C significa que glóbulos brancos denominados linfócitos entraram em ação para aumentar ainda mais a capacidade de defesa do organismo, principalmente respostas imunológicas específicas em relação a determinadas infecções e determinados tipos de germes.
  • Temperatura acima de 40,5°C significa que o centro que regula a temperatura do organismo deve estar sendo afetado por algo que o está atingindo diretamente, geralmente são infecções graves em que poderá ser feito o uso de antitérmicos para proteger esse centro regulador da temperatura corporal e também a todo o organismo.

Ao contrário do que se acreditava antigamente em medicina, o organismo está perfeitamente adaptado para suportar temperaturas internas de até 40,5°C sem sofrer qualquer dano.

É por isso que nós, médicos homeopatas, observamos a febre de nossos pacientes atentamente. Sabemos que quando ela surge o próprio organismo já está preparado para a defesa. A melhor conduta é não atrapalhá-lo, sob o risco de interromper-se essa defesa e enfraquecê-lo. Quanto mais tempo o paciente permanecer na condição febril mais rapidamente ele vencerá o processo infeccioso. Ao fazer a prescrição de medicamentos homeopáticos durante os processos febris o médico homeopata não objetiva abaixar a febre rapidamente, mas sim ajudar o organismo a completar esse trabalho de defesa.

Conhecendo a importância da febre no mecanismo imunológico, e com a intenção de aliviar o desconforto do paciente, o medicamento homeopático tem como objetivo restabelecer a força vital, acelerando o processo de cura. Portanto, a febre não é apenas uma manifestação primordial das doenças infecciosas, mas os mecanismos moleculares implicados em sua origem têm uma ação muito ampla no aumento das respostas imunes, necessárias para restringir e erradicar os organismos responsáveis pela infecção.

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Sobre o Autor: Rogério Guimarães

Graduação em Medicina pela UNIFOA (Centro Universitário de Volta Redonda- RJ)
Especialista em Homeopatia pela AMHB (Associação Médica Homeopática Brasileira)
Pós-Graduação em Geriatria pelo CIAPE/FELUMA (Centro Interdisciplinar de Apoio ao Envelhecimento/ Fundação Educacional Lucas Machado)
Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
Instrutor de Mindfulness em formação pelo NUMI (Núcleo de Mindfulness)
Atualmente, atendimentos em consultório particular e convênios, e ambulatório de Homeopatia no SUS

  • Rogério Guimarães

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