Biopatografia

Você sabe o que é biopatografia?

Aquela internação num grande hospital de São Paulo já chegara aos 180 dias, seis meses numa cama hospitalar não é brincadeira, o sofrimento que vinha experimentando havia minado quase todas suas resistências, até as picadas de agulhas que tanto temia, após centenas, para ela já não representavam mais nada, acostumara-se, estava enfrentando uma situação muito pior. 

Doente há quase dois anos, de início uma diarréia, que foi se tornando diária, depois cólicas, dores horrorosas, e muita distensão abdominal. Fora internada algumas vezes para tratamento sintomático, duas delas foram mais graves, apresentara quadro de sub- oclusão intestinal, com muitos vômitos, distensão abdominal, melhorou após cinco dias de internação. No entanto, em casa, apesar dos medicamentos, a saúde não retornara, havia emagrecido dez quilos antes desta internação. O diagnóstico de doença de Chron, forma grave, que acometia grande parte do intestino delgado e do intestino grosso. 

A proposta de internação foi de uma cirurgia para remover parte do delgado e do ceco, por apresentar quadro grave de estreitamento intestinal. Alta em uma semana se tudo corresse bem. Enfrentara animada a primeira operação, seria uma chance de melhora. 

No entanto, as complicações, os pontos da sutura intestinais se soltaram, ela teve que ser reoperada, e numa sequencia de complicações foi submetida a seis operações de relativa complexidade. 

Só não falecera, porque a equipe médica era muito dedicada e o Hospital moderno e muito bem equipado. Perdera vinte quilos durante a internação, com os dez quilos de antes, chegara a trinta quilos de perda. Tinha 34 anos, e apenas 38 kg. Era só pele, ossos e muitas cicatrizes no abdômen. Estava em dieta parenteral, toda alimentação era por via endovenosa há 40 dias, isso significava que não colocara nenhum alimento na boca nesse período. Já havia até esquecido dos prazeres da mesa, agora tão distantes. 

Diante desse quadro, um dos médicos da equipe de cirurgia, que também era homeopata resolveu aproximar-se da paciente de outra forma, afinal da contas, já havia quase esgotado os recursos da Medicina Convencional

– Joana, há quanto tempo está doente? 

O facultativo já conhecia a resposta. 

– Dois anos, comecei com diarreia, depois as cólicas, as distensões abdominais, os vômitos, o emagrecimento, a fraqueza, e agora eu aqui, um caco de gente. 

Olhos nos olhos, como a querer ver quem estava por trás de tudo aquilo, e a pergunta direta. 

– Aconteceu algo de pessoal, de negativo, pouco antes de adoecer

– Sim… sua  voz era baixa e não pode conter o pranto. 

médico havia atingido o verdadeiro sofrimento da paciente, o choro era sinal de um grande conteúdo emocional represado. Ela havia ido a uma festa com uma amiga, e após beberem, teve uma experiência homossexual com a colega. Isso foi para ela muito traumatizante, foi sua primeira experiência sexual, sob o efeito do álcool fora seduzida, não se conformava com o acontecido, após uma semana, o início das diarréias. 

O fato em si tem  importância relativa, para o homeopata o mais importante é como a pessoa reage aos traumas da vida

– O que você sentiu, diante desse acontecimento? 

– Muita raiva, eu me senti enganada e traída, não posso nem pensar na antiga amiga, quanto mais olhar ou falar com ela. 

– E você falou para alguém? 

– Nada, guardei os sentimentos comigo. Se falasse seria melhor, mas não consigo. O senhor é a primeira pessoa que falo sobre esse assunto. 

Os sintomas mentais estavam claros, cólera reprimida, indignação, pesar silencioso, completou-se o quadro com outros sintomas e escolheu-se um medicamento homeopático. 

Isso é o que a Homeopatia chama de sintoma biopatográfico, ou biopatografia, de importância fundamental na gênese de muitas enfermidades agudas e crônicas, trata-se do sintoma desencadeante da enfermidade. No dia seguinte ao início da tomada do medicamento homeopático, a paciente apresentou uma extensa erupção cutânea, da cabeça aos pés, acompanhada de nítida melhora do estado geral e mental.  

A afecção da pele representa uma eliminação, que junto com a melhora do estado geral e mental, indicavam recuperação do enfermo. A pele foi melhorando gradativamente e ficou boa em pouco tempo. 

Em dez dias a paciente recebeu alta, para espanto e alegria da equipe médica, começara a melhorar do estado geral e pode aceitar a alimentação por boca, sem problemas. Joana foi acompanhada pelo homeopata por mais três anos, período que permaneceu sem sintomas da doença, e recebendo apenas medicação homeopática. Apesar das cicatrizes do abdome, recuperou a saúde, o peso e o animo de viver. Disse ao médico que já havia superado a cólera e a indignação, e embora não houvesse procurado a antiga amiga, o que havia acontecido já não lhe importava tanto. 

Homeopatia, com seus medicamentos bioenergéticos, têm a capacidade de atuar em níveis muito sutis do ser humano, mobilizando as forças curativas latentes no paciente.

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Hamilton Camargo Rodrigues

Graduação em Medicina pela Unifesp – Escola Paulista de Medicina
Especialização em Homeopatia (AMHB), Cirurgia Geral e Proctologia ( SBCP)
Organizou e Coordenou o Serviço de Colo-Proctologia da Universidade Federal de Uberlândia
Docente e coordenador de cursos de pós-graduação de Homeopatia na Associação Paulista de Homeopatia, na Sociedade Médica de Uberlândia e no Centro de Especialização em Homeopatia de Londrina (CEHL)
Atualmente, docente do CEHL, consultório de Homeopatia e Proctologia e Ambulatório do SUS de Proctologia.

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